Associações de imprensa pedem medidas para inverter problemas do setor

Lisboa, 14 dez 2019 (Lusa) - As associações Portuguesa de Imprensa (API) e de Inspiração Cristã (AIIC) enviaram hoje uma carta ao primeiro-ministro a pedir ao Conselho de Ministros que "tenha a coragem de consagrar" medidas orçamentais "que invertam os graves problemas" do setor.
As duas entidades - Associação Portuguesa de Imprensa (API) e Associação de Imprensa de Inspiração Cristã (AIIC) - "representam mais de 90% dos editores de jornais e revistas de distribuição nacional, regional ou local, em papel e/ou digital", referem os presidentes, João Palmeiro e Paulo Ribeiro, respetivamente, no início da sua missiva ao primeiro-ministro, António Costa.
A pressão das chamadas 'fake news' (desinformação), a ameaça do populismo e a pressão da propaganda são alguns dos factores que ameaçam o regime democrático invocado pelos responsáveis destas duas associações.
Aproveitando a reunião do Conselho de Ministros que está a decorrer para aprovar o Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), as duas associações defendem que "as medidas de apoio que têm vindo a propor são absolutamente essenciais para a existência de uma imprensa livre e plural, indispensável num Estado de Direito".
Salientando que os apoios que reclamam "não dependem de qualquer avaliação, simpatia ou opinião política favorável, nem propiciam favores, não consubstanciam dependências, antes reforçam a independência", apontam que "sem medidas imediatas e urgentes, que podem e devem depois vir a ser reforçadas, a imprensa ficará, aí sim, numa posição ainda mais débil e dependente dos poderes económicos e políticos, não podendo cumprir o seu papel, indispensável num regime democrático".
Além disso, "o combate à iliteracia, uma das principais preocupações da Comissão Europeia e também do Estado português, só poderá ser eficaz no futuro com a participação ativa da imprensa e dos seus jornalistas", apontam.
"Por todas estas razões, esperamos que o Conselho de Ministros tenha a coragem de consagrar, no Orçamento de Estado, medidas que invertam os graves problemas atuais da imprensa e o horizonte obscuro que deixa antever uma razia de todo o setor", defendem.

 

Alexandra Luís