Deputados britânicos acusam Facebook de agir como “bandidos digitais”

epa04573109 British MP Damian Collins attends the start of the 'New FIFA Now' meeting at the EU Parliament in Brussels, Belgium, 21 January 2015. The summit organised by the initiative 'New FIFA Now' is set to discuss on the football's governing body's future.  EPA/JULIEN WARNAND

Londres, 18 fev 2019 (Lusa) - O Governo britânico deve impor uma regulamentação mais forte sobre as redes sociais, especialmente o Facebook, para evitar que divulguem informação falsa e atuem como "bandidos digitais", defende um relatório de uma comissão parlamentar publicado hoje.

"É precisa uma mudança radical no equilíbrio de poder entre essas plataformas e as pessoas. A era de autorregulação inadequada deve acabar", defendeu Damian Collins, presidente da Comissão parlamentar para o Digital, Cultura, Comunicação Social e Desporto.

Para este deputado do partido Conservador, os direitos dos cidadãos devem estar estabelecidos numa lei que obrigue as empresas de tecnologia a cumprir um código de conduta fiscalizado por um regulador independente.

"Empresas como o Facebook não devem poder comportar-se como 'bandidos digitais' no mundo da Internet, considerando-se acima e fora da lei", vinca o relatório com mais de 100 páginas.

O Facebook é um dos principais alvos da investigação conduzida ao longo de mais de um ano por esta comissão parlamentar sobre o fenómeno das 'fake news' e o impacto nas recentes eleições no Reino Unido, incluindo o referendo sobre o 'Brexit' em junho de 2016.

Nas conclusões, pedem ao governo britânico que realize uma "investigação independente" sobre a "influência estrangeira", em particular a russa, a desinformação durante o referendo sobre o 'Brexit', mas também durante as eleições parlamentares de 2017 e o referendo sobre a independência da Escócia em 2014.

"A democracia está em risco devido ataque malicioso e implacável aos cidadãos com desinformação e 'anúncios obscuros' personalizados de fontes não identificáveis, transmitidos através das principais plataformas de redes social que usamos todos os dias", concluiu o relatório.

O Facebook está envolvido em vários casos relacionados com as chamadas 'fake news', nomeadamente a alegada interferência russa nas eleições presidenciais dos EUA em 2016, o uso não autorizado de dados pessoais de utilizadores pela consultora política Cambridge Analytica e a violação de segurança que levou à invasão de milhões de contas.

 

Bruno Manteigas