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Letónia pede fim de barreiras no mercado único para UE concorrer com China e EUA

Estrasburgo, França, 17 abr 2019 (Lusa) -- O primeiro-ministro da Letónia defendeu hoje o fim de barreiras no mercado único para que a União Europeia (UE) consiga concorrer com a China e Estados Unidos, pedindo ainda que se combata a desinformação vinda da Rússia.


"Se quisermos ser campeões, temos de fazer com que deixem de existir barreiras no mercado único para podermos concorrer com a China e os Estados Unidos", argumentou Krisjanis Karins, falando na sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França.


Intervindo num debate sobre o futuro da Europa na última sessão plenária da legislatura, o responsável argumentou que os Estados-membros têm "muita força enquanto UE", mas é necessário "ultrapassar barreiras que ainda existem no mercado único", nomeadamente nos setores da indústria e da inovação.


"Por um lado, existe a China, um país que subsidia a sua indústria e que cria desvantagens competitivas à Europa, já que as empresas estão aqui presentes", notou.


Porém, para Krisjanis Karins, "a resposta não é o protecionismo".


"Não devemos jogar com as regras dos chineses, mas devemos exigir sim que os chineses, tal como nós, abram os seus mercados", considerou.


Acresce que, "do outro lado, estão os Estados Unidos, que estão a mudar o seu mercado".


"As grandes empresas tecnológicas são todas norte-americanas. E porquê? Os Estados Unidos têm uma zona dólar, têm orçamento federal e não têm barreiras [para negócios] entre os seus Estados", observou Krisjanis Karins.


Apesar de terem "um mercado único mais pequeno do que o da UE, não têm entraves", acrescentou.


Em reação às declarações do chefe de Governo letão, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, argumentou que "não se deve falar de Estados Unidos porque passa-se a ideia de que a UE quer estatizar-se".


"Nunca vamos ter um modelo igual ao dos Estados Unidos. Queremos ser letões ou de outra nacionalidade e também europeus", vincou.


Jean-Claude Juncker adiantou que "a Comissão Europeia deixou de querer imiscuir-se em pequenas coisas que afetam a vida dos cidadãos, olhando sim para grandes desafios futuros".


Segundo Krisjanis Karins, esses desafios são também "as preocupações" dos europeus, em áreas como o emprego, as migrações, o ambiente e a segurança.


Sobre as migrações, o governante letão referiu que "não existem respostas simples a dar".


"A Europa é uma zona fantástica para viver e para trabalhar e, por isso, temos de aprender a lidar com a pressão", indicou.


Já quanto à segurança, salientou que "a principal ameaça vem da Rússia e não é militar, é relacionada com a desinformação e a propagação de mentiras".


"Por exemplo, quem está por detrás da desinformação no 'Brexit'? A Rússia tem uma grande responsabilidade nisso, tudo vem de uma única fonte", precisou o responsável.


Já recordando o processo de adesão da Letónia à UE, há 15 anos, Krisjanis Karins referiu que o país "não lamenta de todo" tê-lo feito.


"A UE é a união dos valores, da liberdade, da democracia e do Estado de direito", adiantou.


Sobre esta questão, Jean-Claude Juncker assinalou que "a Letónia é um país que sabe, mais do que muitos, o que é fazer parte da UE".


"A Letónia estava num quarto às escuras e merece estar ao sol com os Estados-membros. Também não nos arrependemos em nada da vossa adesão", concluiu.



ANE // ANP


Lusa/fim