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Jovens portugueses em Bruxelas para provar que se deve duvidar sempre da informação

Alunos numa sala de aula da escola EB 23 Lourosa que proíbe os telemóveis, a propósito de uma petição que está a correr para que isso seja a regra em todas as escolas, Santa Maria da Feira, 23 de maio de 2023.  (ACOMPANHA TEXTO DE 27 DE MAIO DE 2023) JOSÉ COELHO/LUSA

Bruxelas, 28 nov 2025 (Lusa) - Onze estudantes portugueses rumaram esta semana até Bruxelas, no âmbito do projeto de literacia “Pinóquio na Escola”, para provar que se deve duvidar sempre da informação, sobretudo quando o tema é imigração.

Os jovens vencedores da primeira edição do projeto de literacia mediática, desenvolvido pelo Polígrafo e Fundação Calouste Gulbenkian, partiram de Lisboa na manhã de terça-feira, para uma visita marcada pelo debate sobre imigração e desinformação.

Mariana Fonseca e Leonor Afonso são alunas da Secundária Almeida Garret, em Vila Nova de Gaia, e desenvolveram o projeto "Imigração, problema ou oportunidade?".

As estudantes respondem à pergunta que levantam num debate em que os alunos apresentaram as suas iniciativas aos representantes europeus.

"Em Portugal e na Europa existe uma ideia de que a imigração é um problema e com o nosso trabalho percebemos que é uma oportunidade de crescimento económico, união social e enriquecimento cultural", explica Mariana.

Para a estudante, "a desinformação é uma ameaça à democracia e uma realidade assustadora" que pode comprometer direitos fundamentais, acrescentando que a informação e a consciencialização podem mudar perspetivas.

Leonor Afonso explica que o desenvolvimento do vídeo para as redes sociais com o qual ganharam o projeto pretendeu recolher informação fidedigna e de fácil interpretação "para mostrar que os imigrantes podem ser um benefício".

Maria Sousa e José Freitas também desenvolveram um projeto sobre imigração, intitulado "1143 razões para desconfiar". A ideia surgiu de um panfleto que disseminava ódio contra imigrantes e que circulava em Braga, onde estudam.

José Freitas explica que este panfleto afirmava que "os imigrantes roubam a identidade portuguesa e estão a substituir os locais em Portugal e na Europa", informação falsa a ser combatida.

O projeto de Maria Sousa e José Freitas também agradou ao júri do concurso, o que levou os estudantes até Bruxelas, depois de no ano passado terem visitado o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, com outro projeto.

Desta vez, Maria Sousa conta que gostou muito dos debates a que assistiu e que a visita permitiu "dar a conhecer a Europa aos jovens”. “É interessante perceber como as instituições trabalham para construir um futuro comum", rematou a estudante.

Do oceano Atlântico para o centro da Europa foram as alunas Francisca Alves e Maria Câmara, em representação da Escola Secundária Francisco Franco, no Funchal.

Foi durante o intervalo de uma sessão que Francisca Alves explicou que o projeto que desenvolveram, “A desinformação da imigração", procurou combater a desinformação sobre imigrantes, em três áreas de atuação: demografia, educação e trabalho.

A aluna que aproveitou a pausa entre sessões para estudar para o teste de Biologia, refere que o que mais gostou na viagem foi da exposição "Experience Europe”, na qual fez diversas atividades, como entrevistas virtuais à Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Foi sentada num dos cadeirões, com os óculos de realidade virtual colocados que estava outra das vencedoras do projeto, Inês Nogueira acompanhada pela colega Ana Rosa, que pauta o ambiente com comentários sobre a atividade.

"Isto é ‘bué’ fixe", diz Inês Nogueira a Ana Rosa, perguntando se a colega via o mesmo.

Ana Rosa, sentada numa zona de apoio junto do cadeirão da colega: "Quando estás virada para a parede consigo", porque a imagem era projetada.

As alunas da Secundária de Serpa participaram na viagem com o projeto "Desinformação também adoece!", para combater controvérsias, declarações e hábitos promovidos por influenciadores digitais relacionados com a saúde mental.

Inês Nogueira considera que não chega muita desinformação ao interior do país, mas salienta que as pessoas destas regiões estão "menos preparadas para lidar com desinformação e não questionam”. “Têm menos literacia mediática", diz.

A propósito da viagem, Ana Rosa refere ter sido um "abre olhos", porque "como as pessoas de regiões mais isoladas, por exemplo, não têm noção da quantidade de pessoas envolvidas nas instituições europeias".

Perspetiva partilhada pela aluna Carolina Cordeiro, uma vez que a "viagem foi muito esclarecedora porque abriu os olhos para a importância das instituições europeias".

A agora estudante universitária desenvolveu o "Fake não é fact", "um projeto necessário para desconstruir um dos temas com mais desinformação, a imigração".

Também rumaram a Bruxelas os estudantes da Escola Básica e Secundária de Lousada Norte, em Nogueira, Rui Costa e Ana Pacheco, com o projeto "Mentira azeda".

No momento de debate, os alunos disseram ter procurado esclarecer os mitos sobre o limão, mas também alertar para a importância de verificar a informação antes de a partilhar.

Os alunos salientaram que na realização do projeto contaram com a ajuda de outros colegas, para desfazer “mitos antigos” sobre o limão.

Ana Pacheco considera que “antigamente não havia os meios de verificação de informação atuais”, pelo que se torna imperativo procurar sempre fontes verídicas.

Na viagem, houve ainda tempo para conhecer a cidade, comer os típicos “waffles” e chocolates belgas e visitar a Casa da História Europeia.

 

Paulo Resendes