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Parlamento Europeu: Desinformação ameaça segurança interna e “expõe” democracia europeia

epa11183222 A Logo of European Parliament before a debate on ‚Resumption of session and order of business' at the European Parliament in Strasbourg, France, 26 February 2024. The European Parliament's session runs from 26 until 29 February 2024.  EPA/RONALD WITTEK

Lisboa, 02 abr 2026 (Lusa) - A desinformação no digital deixou de ser apenas uma ameaça difusa para assumir contornos de “questão de segurança interna” da União Europeia (UE), perante a crescente sofisticação de campanhas de manipulação veiculadas por atores estrangeiros, segundo o Parlamento Europeu.

Fonte oficial da instituição, a porta-voz Delphine Colard, disse à Lusa que os eurodeputados têm alertado de forma reiterada para o facto de a interferência externa constituir “uma violação grave dos valores universais” da UE, apontando para evidências de que Estados autoritários e agentes não estatais recorrem a estratégias de manipulação informativa para influenciar processos democráticos.

Estas campanhas, acrescentou, “enganam os cidadãos e afetam o seu comportamento eleitoral”, ao mesmo tempo que amplificam divisões sociais, promovem discurso de ódio e exploram fragilidades estruturais das sociedades europeias, com o objetivo último de “desestabilizar a democracia europeia”.

O fenómeno, que ganhou particular intensidade no contexto da guerra na Ucrânia, tem sido associado a operações de desinformação “de magnitude e malícia sem precedentes”, atribuídas à Rússia, que visam não só o público interno, mas também a comunidade internacional.

Face a este cenário, o Parlamento Europeu tem vindo a reforçar os instrumentos políticos e legislativos para responder à ameaça.

Um escudo europeu como resposta

Após a criação, na legislatura anterior, de duas comissões especiais dedicadas à ingerência estrangeira, os eurodeputados avançaram, em dezembro de 2024, com uma nova comissão focada no chamado “Escudo da Democracia Europeia”.

Este órgão está encarregado de analisar ameaças híbridas, incluindo a manipulação de informação em plataformas digitais, ciberataques, interferência em infraestruturas críticas e o uso de conteúdos gerados por Inteligência Artificial (IA), como ‘deepfakes’.

Em janeiro deste ano, o relator desta comissão, Tomas Tobé, apresentou um projeto de relatório que defendeu uma agenda de reformas centrada na capacidade operacional, responsabilização e preparação da UE, destacando também o papel das redes de verificação de factos no combate à desinformação.

Paralelamente, a UE tem procurado consolidar o quadro regulatório para o espaço digital, com legislação como o Regulamento dos Serviços Digitais (DSA), o Regulamento da Inteligência Artificial e as novas regras sobre publicidade política.

Desde a entrada em vigor do DSA, a Comissão Europeia já abriu processos contra várias plataformas de grande dimensão, incluindo a rede social X, alvo de uma multa de 120 milhões de euros em dezembro de 2025, a primeira sanção aplicada ao abrigo deste regime.

Os eurodeputados têm insistido na necessidade de uma aplicação rigorosa destas normas, considerando-as um instrumento central no combate à desinformação, incluindo a de origem russa.

Entre outras medidas, o parlamento defendeu também regras mais restritivas para proteger menores no ambiente digital, propondo limites de idade para o acesso autónomo a redes sociais e aplicações de IA.

Apesar dos avanços, Bruxelas reconheceu que a natureza dinâmica e evolutiva das campanhas de desinformação exige vigilância constante, num contexto em que “os ataques são esperados em número crescente e de forma cada vez mais sofisticada”.

A resposta europeia, indicam fontes parlamentares, passa por um esforço contínuo de adaptação, numa corrida entre regulação e inovação tecnológica que poderá definir a resiliência democrática do bloco nos próximos anos.

Paulo Resendes