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Relatório: Desinformação adapta-se e amplia narrativas pró-Rússia

epa10717433 A Spaskaya tower of the Moscow Kremlin is seen behind the fences on the closed entrance to the Red square in Moscow, Russia, 29 June 2023. On 24 June, counter-terrorism measures were enforced in Moscow and other Russian regions after private military company (PMC) Wagner Group chief Yevgeny Prigozhin claimed that his troops had occupied the building of the headquarters of the Southern Military District in Rostov-on-Don, demanding a meeting with Russia's defense chiefs. Belarusian President Lukashenko, a close ally of Putin, negotiated a deal with Wagner chief Prigozhin to stop the movement of the group's fighters across Russia, the press service of the President of Belarus reported. Prigozhin announced that Wagner fighters were turning their columns around and going back in the other direction, returning to their field camps.  EPA/SERGEI ILNITSKY

Lisboa, 05 mai 2026 (Lusa) - Um relatório do projeto ATAFIMI conclui que a desinformação com origem russa está a evoluir para um modelo mais "ágil e oportunista”, explorando acontecimentos internacionais, como o caso Epstein ou o conflito no Médio Oriente, para reforçar narrativas pró-Kremlin.

O documento, elaborado no âmbito do projeto ATAFIMI, analisou conteúdos difundidos entre janeiro e março de 2026 em vários países da Europa e América Latina, identificando uma tendência crescente de adaptação rápida a temas mediáticos globais para maximizar alcance e impacto.

De acordo com o relatório, eventos de grande visibilidade são “reaproveitados” como veículos narrativos.

O caso dos ficheiros Epstein, por exemplo, foi usado para promover teorias da conspiração que associam líderes ocidentais e figuras ucranianas a redes de poder ocultas, ao mesmo tempo que apresentam a Rússia como agente de justiça ou proteção.

A mesma lógica foi aplicada à escalada militar que envolve o Irão, Estados Unidos e Israel, onde conteúdos manipulados procuraram reforçar sentimentos antiocidentais e retratar Moscovo como aliado estratégico de Teerão, enquanto outras narrativas amplificavam desconfiança em relação a atores internacionais.

Outro elemento inovador identificado é a crescente utilização de Inteligência Artificial (IA) para produzir conteúdos satíricos ou de ridicularização, sobretudo dirigidos a figuras ucranianas.

Em vez de mensagens alarmistas, estas peças recorrem ao humor e à paródia para minar a credibilidade de adversários, marcando uma mudança de tom nas campanhas de desinformação.

O relatório destacou ainda a segmentação de audiências como uma das principais estratégias: conteúdos são adaptados a contextos nacionais específicos, explorando tensões políticas locais ou temas sensíveis.

Em Espanha, por exemplo, casos mediáticos internos foram instrumentalizados para alimentar narrativas polarizadoras, enquanto nos Balcãs surgiram conteúdos ligados a disputas históricas e identitárias.

Na América Latina, a análise apontou para uma dualidade estratégica: por um lado, a promoção de uma imagem positiva da Rússia como alternativa ao Ocidente e por outro, a disseminação de desinformação que associa a Ucrânia a corrupção, tráfico ilegal ou instabilidade global.

Entre as narrativas recorrentes, persistem acusações infundadas contra o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e alegações de desvio de armas ocidentais para mercados ilícitos, com impacto potencial na perceção pública do apoio internacional a Kiev.

Os investigadores sublinharam que a principal novidade não reside tanto no conteúdo das mensagens, mas na capacidade de se “encaixar” rapidamente em acontecimentos mediáticos globais, criando uma sensação de atualidade e verosimilhança.

O projeto ATAFIMI envolve organizações de verificação de factos de vários países e pretende mapear padrões de manipulação de informação transfronteiriça, num contexto de crescente sofisticação das campanhas digitais.

Paulo Resendes