Catalunha: MP espera que transmissão em direto de julgamento reduza desinformação

Madrid, 28 jan 2019 (Lusa) –A procuradora-geral espanhola reconheceu o perigo de haver muitas notícias falsas durante o julgamento dos políticos catalães envolvidos na tentativa separatista, prometendo "a maior transparência possível" com a transmissão televisiva em direto.

Num encontro com os jornalistas, Maria José Segarra afirmou ser "evidente" que num julgamento tão mediático "vai haver muita informação e desinformação".

O Ministério Público vai tentar ser "o mais transparente possível para que se entendam as posições que sejam tomadas em cada momento", disse a procuradora-geral.

Para assegurar a transparência e também para responder aos independentistas que pedem a presença de observadores no julgamento, Maria José Segarra foi perentória: "Televisão e em direto. Não podemos oferecer mais", disse.

Há 18 líderes independentistas catalães que deverão ser julgados a partir do início de fevereiro de 2019 por alegado delito de rebelião, sedição, peculato e desobediência na liderança da tentativa de independência da Catalunha em 2017.

Nove dos acusados, que são membros do núcleo duro de pessoas que planeou a tentativa de independência, estão detidos provisoriamente acusados de rebelião, tendo o Ministério Público pedido penas pesadas que podem ir até 25 anos de prisão.

Os partidos e movimentos separatistas consideram que os acusados são "prisioneiros políticos" e criticam através de todos os meios a sua detenção cautelar há mais de um ano.

Não vão estar presentes no julgamento sete separatistas, entre eles o ex-presidente do Governo catalão Carles Puigdemont, que fugiram de Espanha, país que não julga pessoas à revelia.

O processo de independência da Catalunha foi interrompido em 27 de outubro de 2017, quando o Governo central espanhol decidiu intervir nessa Comunidade Autónoma na sequência da realização de um referendo de autodeterminação organizado pelo executivo regional independentista em 01 de outubro do mesmo ano que foi considerado ilegal.

 

Fernando Paula Brito