Comissão de Eleições da Guiné-Bissau denuncia publicação de “inverdades” nas redes sociais

Comerciantes nas ruas de Bissau, Guiné-Bissau, 23 de novembro de 2019. ANDRÉ KOSTERS/LUSA

Bissau, 03 jan 2020 (Lusa) - A Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau denunciou hoje a publicação de "inverdades" nas redes sociais para "tentar debilitar" a imagem da instituição e sublinha que o sistema eleitoral guineense é "claro e transparente".
"Após o anúncio dos resultados [das presidenciais] pela Comissão Nacional de Eleições várias informações foram veiculadas nas redes sociais, com inverdades, manipulações e outros males, atentatórias à honra e dignidade dos seus dirigentes", e na tentativa de "debilitar a imagem" da instituição, disse a porta-voz da CNE, Felisberta Vaz.
Segundo Felisberta Vaz, o objetivo daquelas informações são uma "vã tentativa" de "desestabilizar e fragilizar a coesão interna e firmeza dos seus dirigentes, que juraram sempre respeitar e observar as leis da República na condução dos processos eleitorais".
"Convém salientar, que o sistema eleitoral guineense, dada a sua clareza e transparência, permite aos delegados de lista de cada mesa de assembleia de voto ter acesso à cópia da ata síntese nas comissões regionais de eleições, os representantes têm acesso às atas de apuramento regional", afirmou.
Na declaração, a porta-voz da CNE salientou também que em caso de qualquer "anomalia ou irregularidades" a parte interessada deve "reagir de imediato, evocando a matéria de facto e o seu devido enquadramento na matéria de direito (legislação eleitoral)".
"A Comissão Nacional de Eleições não recebeu nenhuma reclamação que possa ser objeto de contencioso eleitoral", revelou Felisberta Vaz, salientando que o apuramento nacional é apenas uma compilação dos dados de apuramento regionais e que é feito com base nas atas das mesas das assembleias de voto de cada região com a fiscalização do Ministério Público.
As redes sociais na Guiné-Bissau, principalmente o Facebook, têm sido utilizadas para divulgar notícias falsas e muitas vezes associando às denominadas `fake news` o nome de órgãos de comunicação social estrangeiros a trabalhar no país, mas também para criar perfis falsos associados a determinados cidadãos a quem atribuem declarações que não foram feitas.
As notícias falsas aumentam conforme o momento político que o país vive e intensificam-se sempre com as campanhas eleitorais.
O fenómeno já tinha sido registado durante a campanha eleitoral para as legislativas de março e prosseguiu com a campanha eleitoral para as presidenciais e continuou com a divulgação dos resultados.
O bastonário da Ordem dos Jornalistas da Guiné-Bissau, António Nhaga, afirmou em dezembro à Lusa que as redes sociais no país deixaram de aproximar os cidadãos para passarem a ser um espaço de “cobardes” ligados aos partidos políticos, que as utilizam para mentir e insultar.

 

Isabel Marisa Serafim