Corrupção favorece difusão por jornalistas em Moçambique

O membro Conselho de Administração da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), Lourenço do Rosário, intervém na conferência

Maputo, 11 jul 2019 (Lusa) - O fundador e primeiro reitor da universidade A Politécnica, a primeira privada em Moçambique, Lourenço do Rosário, defendeu hoje que a corrupção torna os jornalistas agentes de disseminação de notícias falsas no país.
"Há um terreno fértil [para as ´fake news`], que é a corrupção", declarou Lourenço do Rosário, falando no encerramento da conferência "Combate às 'fake news': uma questão democrática", promovida hoje pela Agência Lusa.
Assinalando que a corrupção não foi abordada pelos oradores na conferência, talvez por "pudor", Lourenço do Rosário disse que há casos em que jornalistas veiculam notícias falsas como resultado de manipulação com recurso a dinheiro ou incentivo patrimonial.
"Não é apenas por razões ideológicas [que se veiculam informações falsas], mas porque há corrupção envolvida", frisou o académico.
A sociedade moçambicana, prosseguiu, deve saber que convive com a realidade das 'fake news' (desinformação), independentemente do tipo de nome atribuído a esse fenómeno.
Lourenço do Rosário contou que ele próprio foi vítima de notícias falsas, quando alguma comunicação social moçambicana o tratou como "traidor", quando o falecido líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, Afonso Dhlakama, foi cercado e a sua residência invadida pelas Forças de Defesa e Segurança, na cidade da Beira, centro de Moçambique.
Lourenço do Rosário e outras personalidades moçambicanas tiraram Afonso Dhlakama das matas onde estava em fuga depois de um atentado ao político, para Beira, onde viria a ser cercado e a sua guarda desarmada pelas Forças de Defesa e Segurança.
O jornalismo, continuou Lourenço do Rosário, vive uma encruzilhada, porque se defronta com a necessidade de informar com verdade, em concorrência com os novos media digitais que divulgam informação com maior celeridade e muitas vezes sem rigor.

Paulo Machicane (texto) e António Silva (foto)