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Estudo: Algoritmo da rede social X leva a posições políticas mais conservadoras

epa10772473 An illustration pictures shows a user holding a mobile phone displaying the 'X' logo in front of Elon Musk's page in Los Angeles, California, USA, 27 July 2023. Twitter announced on 23 July that it will rebrand to X.  EPA/ETIENNE LAURENT

Madrid, 19 fev 2026 (Lusa) - Ativar o algoritmo 'para ti' na rede social X leva os utilizadores a adotarem opiniões políticas mais conservadoras, de acordo com um estudo com quase 5.000 utilizadores da plataforma de redes sociais.

O estudo observou ainda que esta tendência persiste mesmo depois de os utilizadores desativarem o filtro e regressarem ao feed cronológico (versão normal).

Os detalhes da investigação, conduzida por uma equipa internacional de cientistas de Itália, Suíça e França, foram publicados na revista Nature, citada pela agência Efe.

Para muitas pessoas, as redes sociais tornaram-se a principal fonte de informação, o que gerou preocupação com a desinformação, a polarização e a influência dos algoritmos (que filtram, selecionam e ordenam o conteúdo em 'feeds' personalizados para reter os utilizadores).

Algumas experiências anteriores em grande escala - incluindo uma colaboração com a Meta - encontraram poucas evidências de que a desativação do algoritmo que filtra a informação e o regresso a um feed cronológico alterasse as atitudes políticas dos utilizadores.

Mas estes estudos não conseguiram determinar se a exposição precoce ao algoritmo já tinha moldado estas opiniões, salientaram os autores.

Para esclarecer isto, realizaram uma experiência independente com 4.965 utilizadores do X nos Estados Unidos durante o Verão de 2023, seis meses depois de o empresário sul-africano Elon Musk ter comprado a empresa, então chamada Twitter, e um ano antes de declarar publicamente o seu apoio ao candidato republicano Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos.

Os participantes do estudo foram aleatoriamente designados para um 'feed' algorítmico (um filtro de notícias) ou para a linha do tempo (a versão padrão) durante sete semanas.

Também entrevistaram os participantes antes e depois da experiência e analisaram o conteúdo da linha do tempo e o comportamento dos utilizadores na rede utilizando uma extensão de 'browser' que permitia monitorizar o conteúdo da linha do tempo e as interações 'online'.

Os resultados revelaram que os utilizadores designados para o feed algorítmico interagiram mais com a plataforma, adotaram visões políticas mais à direita e eram mais propensos a seguir ativistas políticos conservadores.

Por outro lado, quando os utilizadores foram transferidos do 'feed' algorítmico para o feed cronológico, as suas opiniões e comportamentos tiveram pouco efeito.

Além disso, a análise de conteúdo revelou que o algoritmo exibiu mais publicações conservadoras e ativistas, ao mesmo tempo que reduziu a visibilidade dos meios de comunicação tradicionais, como aponta o estudo.

Para os autores, estes resultados demonstram que os algoritmos das redes sociais "moldam significativamente as atitudes políticas" e que este efeito persiste mesmo após a remoção da seleção algorítmica.

Além disso, alertaram que os algoritmos influenciam não só o que os utilizadores veem, mas também o ambiente político digital em que vivem.

Os autores advertiram ainda para as limitações do estudo, sublinhando, em primeiro lugar, que os resultados devem ser restritos à rede X e, em segundo lugar, que o período de tempo da experiência não permite determinar os efeitos a longo prazo.

Diogo Caldas