Facebook encerra 23 páginas que veiculavam ‘fake news’ sobre eleições europeias

epa07088862 (FILE) - People walks past Facebook's 'Like' icon signage in front of their campus building in Menlo Park, California, USA, 30 March 2018 (reissued 12 October 2018). Facebook on 12 October 2018 issued an update on a security breach the company suffered in late September, reporting that 29 million users had their data accessed.  EPA/JOHN G. MABANGLO *** Local Caption *** 54514503

Roma, 13 mai 2019 (Lusa) - O Facebook encerrou 23 páginas do seu 'site' ao considerar que veiculavam notícias falsas e conteúdos de incitamento ao ódio, dos quais mais de metade apoiavam os dois partidos no poder em Itália, anunciou hoje a organização não-governamental Avaaz.

"Facebook, uma investigação da Avaaz implicou o encerramento de páginas não oficiais" da Liga (extrema-direita) e do Movimento 5 estrelas (M5S, antissistema), no poder em Itália, anunciou aquela organização não-governamental (ONG) em comunicado.

No total, estas páginas registavam 2,5 milhões de inscritos, precisou a ONG.

A mais ativa intitulava-se "Queremos o Movimento 5 estrelas no governo". Segundo a Avaaz, afirmava por exemplo que o escritor italiano anti-máfia Roberto Saviano declarou preferir "salvar os migrantes que as vítimas italianas de terramotos".

O autor de "Gomorra" nunca fez semelhante afirmação e foi forçado a desmentidos públicos, recordou a Avaaz.

Em relação à Liga, a página mais ativa publicava um vídeo que apresentava o que era apresentado como migrantes a destruírem um veículo dos Carabinieri (a Guarda nacional italiana).

Este vídeo, visualizado cerca de 10 milhões de vezes, constituía a cena de um filme e a desinformação foi denunciada, mas continuava a ser utilizada para fins políticos.

"Tudo isto constitui a enésima prova de que existem redes que partilham a desinformação e falsas informações com o objetivo de propagar o ódio e as divisões tendo como objetivo as eleições europeias", afirmou em comunicado Christoph Schott, diretor de campanha da Avaaz.

"O Facebook fez um bom trabalho ao fechar estas páginas, mas o facto de uma empresa multimilionária ter de se apoiar numa investigação (...) da Avaaz para defender a democracia na Europa diz muito. O Facebook tem de fazer mais, e deve fazê-lo com a máxima urgência", insistiu Schott.

Em abril, segundo o mesmo comunicado, um inquérito semelhante da Avaaz em Espanha implicou o encerramento pelo Facebook, pouco antes das eleições legislativas, de três redes de extrema-direita com um total de 17 páginas e 1,4 milhões de assinantes.

Pedro Caldeira Rodrigues