Agências africanas pedem investimento para combater desinformação

Praia, 26 set 2019 (Lusa) - O presidente da federação das agências de notícias da África ocidental defendeu hoje, na Praia, a necessidade de investimentos nestes órgãos para garantir a primeira linha do combate às 'fake news' que também afetam o continente africano.

Khalil Hachimi Idrissi, presidente da Federação Atlântica das Agências de Notícias Africana (FAAPA, na sigla francesa), falava à agência Lusa à margem da reunião do conselho executivo daquela organização, que arrancou hoje em Cabo Verde.

"O problema das 'fake news' é, atualmente, global. Todos os países, de todos os continentes, são afetados pelas 'fake news'. É um verdadeiro tsunami", começou por reconhecer o jornalista marroquino, que lidera a FAAPA.

Aquela federação reúne agências de notícias de toda a África ocidental, cujos dirigentes estão reunidos até sábado na Praia, para analisar temas como as 'fake news', 'fact-checking' ou formas de financiamento, num evento organizado em parceria com a agência cabo-verdiana de notícias, Inforpress.

Para Idrissi, o combate às 'fake news' tem nas agências de notícias, também em África, o principal aliado, face à rapidez com que se espera que os seus profissionais informem.

"O problema das agências de informação africanas é a falta de meios. É preciso ver que, em geral, as equipas são pequenas, os orçamentos são pequenos e o apoio do público é curto. Diria que é um problema de orçamento", reconheceu, assumindo que só é possível combater as 'fake news' "com informação verdadeira".

"E a melhor forma de combater as 'fake news' é dotar as agências de meios para agir rápido, bem e a transmitir a informação a tempo", defendeu.

Outra das prioridades para o presidente da FAAPA, em matéria de combate à desinformação, passa por uma educação para os 'media'.

"É preciso educar os mais novos, desde cedo, a que percebam o que é uma 'fake news', o que é um 'site', um blogue, o que é uma 'newsletter', o que é um Twitter e o que é um Instagram. Assim, além de os ajudar a distinguir, vamos proteger a juventude e permitir que sejam menos permeáveis às 'fake news'. Mas tem de ser uma campanha universal com estratégias adaptadas a cada país", sublinhou.

É que "sem meios" nas agências de notícias, alerta, a sociedade está a permitir que as "'fake news' se infiltrem'", quando "é preciso agir rapidamente, na primeira hora, com a informação verdadeira e com as provas".

"É preciso reagir. Como diz o 'slogan': Tolerância zero às 'fake news'. Não pode passar uma só 'fake news'", concluiu.

 

Paulo Julião