Catarina Martins defende articulação de todos os media para combater problema

Catarina Martins, coordenadora do BE, discursa durante o Encontro do Interior 2019, fórum que tem como objetivo discutir políticas para o interior, Alijó, 26 de janeiro de 2019. PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA

Lisboa, 20 fev 2019 (Lusa) -- A coordenadora do BE, Catarina Martins, defendeu a articulação de todos os órgãos de comunicação social para combater a difusão de campanhas de desinformação, esperando que todos os partidos assumam "com clareza" o compromisso de não divulgar informação falsa.

A propósito da conferência que a agência Lusa e a espanhola Efe vão realizar na quinta-feira, em Lisboa, sobre "O Combate às Fake News - Uma questão democrática", Catarina Martins avisou que a "difusão de informação falsa ou manipulada serve sempre quem faz do ódio a sua política" e que "Portugal não está imune a esta ameaça".

Entre as medidas a adotar para combater este fenómeno, a líder bloquista fez questão de sublinhar a importância de órgãos de comunicação social, como a agência Lusa, "para combater a difusão de campanhas de desinformação".

"Mas é necessário que o problema seja combatido, articuladamente, por todos os órgãos de comunicação social", defendeu, lembrando que o BE propôs que parlamento mediasse um encontro entre os diversos órgãos e grupos de media para que se comecem a dar passos neste sentido.

O reforço do jornalismo é imperativo neste âmbito e, para Catarina Martins, "o Estado pode ter um papel sobre a crise da comunicação social", tal como o BE tem defendido e "como é reconhecido pelo próprio Presidente da República".

"Todos os partidos devem assumir com clareza o compromisso de não recorrer a campanhas de desinformação", apelou.

Os bloquistas apresentaram "um Código de Conduta para a sua atuação nas redes sociais ao longo do próximo ciclo eleitoral" e comprometeram-se com "a recusa da divulgação deliberada de informação falsa e com a denúncia de qualquer método ilegal e antidemocrático que vise intoxicar o debate político".

"Registo que, até ao momento, o Bloco foi o único partido a fazê-lo", lamentou.

A coordenadora do BE recordou, ainda, a proposta legislativa que o partido apresentou no início do mês para que os gigantes digitais fossem taxados, uma vez que estas empresas "acabam por ficar com boa parte da receita publicitária que os jornais perderam", sendo esse imposto parcialmente destinado à criação de um fundo de apoio à imprensa com o objetivo de "garantir incentivos ao porte pago e disponibilizar assinaturas de um jornal ou revista para estudantes do 12.º ano e do ensino superior".

"Dar este passo não resolveria todos os problemas. Mas seria um contributo para a promoção de uma comunicação social robusta, capaz de opor às campanhas de desinformação um jornalismo exigente e rigoroso", explicou.

Catarina Martins deixou claro que há uma distinção entre notícias - que são "produzidas por jornalistas e publicadas em órgãos de comunicação social e norteadas por regras deontológicas, com mecanismos regulatórios" - e "campanhas de desinformação, que propositadamente difundem informação falsa e tantas vezes são criadas e alimentadas a partir das redes sociais".

"Estas campanhas de desinformação baseiam-se na mentira e na manipulação, procurando intoxicar o debate político. São, por isso, uma ameaça à própria democracia", condenou.

 

Joana Felizes