Assunção Cristas sugere aposta na “comunicação social séria, com sentido crítico”

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, durante uma visita ao Centro Juvenil e Comunitário Padre Amadeu Pinto, em Almada, 05 de fevereiro de 2019. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Lisboa, 20 fev 2019 (Lusa) -- A líder do CDS-PP defende um reforço da "comunicação social séria, com sentido crítico", respeito pelas regras deontológicas e "sanções pesadas para os prevaricadores" como resposta às 'fake news', ou notícias falseadas.

Para Assunção Cristas, medidas para evitar a disseminação de notícias falsificadas devem passar pela "recuperação de uma comunicação social séria, com sentido crítico e que exerça a sua atividade cumprindo as regras deontológicas a que está obrigada".

Além disso, deve existir "uma maior e mais eficaz regulação do setor, com sanções pesadas para os prevaricadores", afirmou a líder centrista em resposta a um questionário sobre notícias falseadas ou desinformação, integrado num trabalho preparatório para a conferência organizada pela Lusa e Efe sobre 'fake news', na quinta-feira, em Lisboa.

Assunção Cristas propõe ainda que os media "devem aumentar os seus mecanismos de escrutínio de forma e intercetar a divulgação/propagação de 'fake news'".

"Só uma comunicação social forte e uma sociedade exigente podem fazer face a este fenómeno que, infelizmente, é muitas vezes aproveitado por vários setores da sociedade, para obterem ganhos políticos", escreveu a presidente do CDS-PP nas respostas dadas à Lusa.

Caberá ainda aos jornalistas e aos órgãos de informação, acrescentou, "o papel de desconstruir narrativas falsas, de forma a evitar que tais notícias façam caminho no seio da opinião publica".

O jornalismo deve, ainda, "adaptar-se aos novos meios digitais, sabendo trazer uma oferta em que a mediação jornalística faça efetivamente a diferença em relação ao chamado cidadão--repórter".

Assunção Cristas respondeu com um "sim" sobre se as chamadas 'fake news' alimentam o discurso de ódio e alertou para os riscos.

"Muitas vezes, a divulgação de apenas uma parte da realidade pode criar perceções falsas, ou leituras erradas, com consequências graves e geradoras de violência", afirmou ainda.

As 'fake news', sublinhou, "são um instrumento utilizado para perverter a democracia, inventando ou deturpando factos com vista a obter resultados eleitorais que, de outro modo, não seriam alcançáveis".

Para a líder dos centristas, há explicações no próprio setor da comunicação, que ajudam a explicar o fenómeno, como a dificuldade do jornalismo em "adaptar-se aos novos meios digitais" e também a crise, as "grandes dificuldades económicas".

Tudo "tem facilitado a vida aos que querem atingir os seus fins através de notícias falsas".

"A quebra de regras básicas do jornalismo - como a segurança nas fontes, o cruzamento de informação e o respeito pelas regras de obtenção de notícias -, faz com que os autores de notícias falsas vejam na fragilidade da comunicação social, uma autoestrada livre para fazerem o seu caminho", avisou.

Ainda que o Estado não deva subsidiar a atividade jornalística, Cristas admitiu que é difícil às empresas de comunicação social "manterem o mesmo nível de receita" e, por isso, "justifica-se a adoção de medidas de discriminação positiva do ponto de vista fiscal e não só".

"Por forma a garantir uma sociedade livre e democrática, mais resistente a tentativas de manipulação", concluiu.

 

Nuno Simas