Deputado José Magalhães sugere a criação de provedores nacionais

O deputado do Partido Socialista (PS) José Magalhães intervém na abertura da Conferência

Lisboa, 21 fev 2019 (Lusa) -- O deputado socialista José Magalhães sugeriu hoje a criação de provedores nacionais que ajudem os cidadãos a defender-se da desinformação e a denunciar conteúdos falsos.

A sugestão foi feita pelo deputado e um dos divulgadores da Internet em Portugal na conferência "Combate às 'fake news' -- Uma Questão Democrática", organizada em Lisboa pelas duas agências noticiosas ibéricas, Lusa e Efe, de Espanha.

José Magalhães traçou uma panorâmica do que está a ser feito na União Europeia para combater o fenómeno das notícias falsificadas, como o Código de Conduta, e enumerou as iniciativas que a plataforma Facebook tomou nos últimos tempos -- 30 mil moderadores e até a criação de uma espécie de "supremo tribunal" com "40 peritos".

O deputado perguntou depois: "o que faz falta?" e deu a resposta.

"Falta que os cidadãos sejam apoiados, que tenham provedores nacionais para os apoiarem nesse esforço ou algo semelhante ao Centro Internet Segura, que tem vindo a apoiar os cidadãos em matéria de denúncia de conteúdos ilegais", afirmou Magalhães, no primeiro painel da conferência que junta o historiador Pacheco Pereira e o professor universitário Carlos Blanco Morais.

Quanto ao Código de Conduta europeu, a que aderiram plataformas como o Facebook, é positivo que ele exista -- estando pouco divulgado em Portugal -, embora admita que "é de difícil execução", dado que "não tem órgão de recurso", por exemplo.

Em contrapartida, enumerou, o Facebook escolheu o ex-primeiro-ministro britânico Nick Clegg para ser diretor de Relações Públicas, tem 30 mil moderadores e foi criado um grupo de 40 peritos "para funcionar como supremo tribunal".

A via de resposta para o problema, disse o deputado socialista, não pode ser exclusivamente a legislativa, ao contrário do que aconteceu em França e Alemanha, mas sim uma resposta europeia e de autorregulação.

"Tem de haver um trabalho contínuo para combater a desinformação", afirmou.

José Magalhães voltou à tese de que as 'fake news', notícias falsificadas ou desinformação, são a ponta do icebergue que esconde debaixo problemas como a falência do modelo tradicional dos media ou a "erosão do jornalismo de qualidade".

O deputado projetou no ecrã vários gráficos, entre eles um sobre a "explosão de conteúdos" na Internet, em que mostra a forma intensiva como os cidadãos, e também os políticos, "acordam e vivem" nas redes, e que "a primeira coisa que fazem antes de lavar os dentes é conectar-se".

E depois "há aquele que acordam a 'tweetar' e governam a 'tweetar'", ironizou, numa referência ao presidente Donald Trump e aos Estados Unidos.

"É algo completamente novo ter um governo de 'tweets' e ter 'tweets' que infetam, que inflamam e geram factos políticos e que são eles próprios factos politicos", afirmou.

Nuno Simas (texto) e Tiago Petinga (foto)