É necessário reagir à desinformação e “não dizer balelas às pessoas”

A porta-voz do Parlamento Europeu, responsável pela Unidade de ‘fake news’, Marjory Van Den Broeke, discursa durante a Conferência

Lisboa, 21 fev 2019 (Lusa) -- A chefe da Unidade do Porta-voz do Parlamento Europeu (PE), Marjory van den Broeke, sublinhou hoje a necessidade de debater e reagir à desinformação e defendeu que a instituição europeia não pode "dizer balelas às pessoas".

A responsável europeia, que falava durante a conferência "Combate às 'fake news' -- uma questão democrática", organizada pelas agências Lusa e Efe, em Lisboa, explicou que o PE trabalha "ativamente para desmascarar" informações falsas, "ainda que nem sempre façam sentido".

"Temos de ser credíveis, não podemos dizer balelas às pessoas. Só vamos reagir a coisas que estão incorretas e nunca vamos dizer balelas às pessoas. Pela simples razão de que, se o fizermos, elas não voltam [a confiar nas instituições europeias]", assegurou.

Marjory van den Broeke referiu também que o Parlamento Europeu não pode negligenciar as informações, apenas porque circulam na Internet: "Podemos ser muito cerebrais e dizer que estamos acima disso, mas não vai ajudar".

A chefe da Unidade do Porta-voz do Parlamento Europeu ilustrou também vários exemplos de 'fake news' sobre o PE -- expressão que tenta evitar, mas, "por vezes, é fácil usar os termos quando se fala com pessoas" que não são "académicos ou jornalistas".

Uma das mais recentes referia-se ao vulgarmente conhecido "Artigo 13.º", a proposta de Diretiva sobre o Direito de Autor no Mercado Único Digital: "Dizem que a União Europeia vai matar a Internet, os 'memes', não é bem verdade".

A responsável europeia acrescentou, ainda, que Bruxelas está a planear juntas as pessoas que se dedicam à verificação de factos que circulam pela 'web'.

"Temos uma conferência em setembro, porque vimos que muitos 'fact-checkers' trabalham isolados", sublinhou.

Além do debate, a Comissão Europeia está também a "criar um portal onde os 'fact-checkers' podem encontrar-se mais facilmente", porque não reagir à desinformação "torna difícil para as pessoas a tomada de decisões".

 

André Campos Ferrão (texto) e Tiago Petinga (foto)