Jornalistas unem-se num ‘campo de batalha’ para combater o populismo

Bruxelas, 29 mar 2019 (Lusa) - Mais de 70 jornalistas uniram-se na plataforma online 'The Battleground', apresentada hoje em Bruxelas, para combater o populismo e as suas "narrativas falsas" com informação aprofundada que dê resposta ao vazio deixado pelos meios tradicionais.

"Todos nós pertencemos a um contexto de jornalismo ou política. Já tínhamos trabalhado em conjunto nos media e sentíamo-nos frustrados porque pensávamos que os políticos deviam fazer melhor e também os media podiam fazer mais para expô-los. Este populismo, que roça o fascismo em alguns sítios, impeliu-nos a fazer mais para denunciá-lo", justificou a fundadora e 'publisher' da plataforma, na sua apresentação em Bruxelas.

Traçando o 'bilhete de identidade' da 'startup' noticiosa, sem fins lucrativos e com tendências progressivas e "provocadoras", Natalie Sarkic-Todd disse que neste momento já congrega mais de 70 jornalistas e concentra a sua atividade na Europa, América do Norte e Médio Oriente.

A fundadora confessou que a materialização da ideia aconteceu mais rápido do que o esperado e que a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) até teve influência no nascimento do 'The Battleground' (campo de batalha em português).

"Sei que 'Brexit' é uma palavra odiável, mas é um dos motivos para estarmos aqui hoje. Os últimos três anos ensinaram-me, enquanto britânica, que nunca devemos tomar a nossa democracia como certa. Quando se veem sinais de populismo, fascismo - e nem todos os britânicos o irão admitir, mas eles existem -, é tempo de agir", defendeu a fundadora da plataforma.

Ao seu lado, o jornalista israelo-americano Joel Schalit, o editor da 'startup' noticiosa, revelou-se "muito preocupado com a tolerância e a justiça social relativamente a minorias e refugiados" e assumiu que 'The Battleground' é um "exercício de narcisismo", por abarcar não só as suas preocupações como os temas que gostaria de ler.

"Temos muitos meios com tradição e reputação na Europa, mas que parecem produtos do passado, que não chegam aos leitores. Vejo-nos como tentando criar algo que reflete os anseios dos nossos leitores. As pessoas estão desligadas dos meios de comunicação, por não se identificarem, e queríamos preencher esse vazio", pontuou.

Schalit pretende assim que a plataforma que edita seja "um meio de consulta", a que os leitores possam recorrer para aprofundar ou contrastar informação, nas suas múltiplas secções: Critical Times (Tempos Críticos, numa tradução literal), The Naked Story (uma secção com textos mais aprofundados sobre os temas do momento), Words have Consequences (As palavras têm consequências), The Interrogation Room (entrevistas), e Cultural Crossroads (músicas, filmes, livres e festivais.

"Não esperem que vos apresentemos as notícias. Não publicaremos 'breaking news' (notícias de última hora)", alertou o diretor de comunicação, Dominique Ostyn, indicando que, para já a equipa do 'The Battleground' ainda está a "polir o seu formato" e a "olear a máquina".

Definindo a apresentação de hoje, em Bruxelas, como "o início de algo", Ostyn instou a assistência a unir-se ao projeto que, neste momento, está a publicar uma média de três textos semanais e que no próximo mês pretende lançar uma newsletter semanal que reúna os trabalhos aprofundados da equipa.

O objetivo a longo prazo da 'startup' é converter-se num site, pelo que nos próximos meses Natalie Sarkic-Todd irá procurar financiamento, junto de fundações, associações de advogados ou associações antirracismo.

 

Ana Marques Gonçalves