“Os Verdes” defendem “comunicação social plural e contraditória”

Manuela Cunha (D)  e Heloísa Apolónia do Partido Ecologista Os Verdes (PEV) falam aos jornalistas no final do encontro com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho (ausente na foto), no âmbito do processo de conclusão do Programa de Assistência Financeira a Portugal, no Palácio de São Bento, em Lisboa, 08 de abril de 2014. MANUEL ALMEIDA/LUSA

Lisboa, 14 fev 2019 (Lusa) - O Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) encoraja à existência de uma "comunicação social plural e contraditória" para combater as 'fake news', sem esquecer a necessidade de "cidadãos com espírito crítico, rigoroso, exigente e com capacidade de reflexão analítica".

"As 'fake news' só poderão ser 'contrariadas', não surtindo o efeito pretendido, se tivermos uma comunicação social plural e contraditória, consumida por cidadãos com espírito crítico, rigoroso, exigente e com capacidade de reflexão analítica", disse à Lusa a dirigente do PEV Manuela Cunha, a propósito da conferência a realizar em 21 de fevereiro, em Lisboa, e organizada pelas agências noticiosas de Portugal e Espanha, Lusa e Efe, com o título "O Combate às 'Fake News' - Uma questão democrática".

Para Manuela Cunha, "devem também atuar e serem usados todos os instrumentos legais e constitucionais já existentes, para proibir todas as formas de incitação à violência, racismo, xenofobia e todas as formas de discriminação".

As 'fake news', comummente conhecidas por notícias falsas, desinformação ou informação propositadamente falsificada com fins políticos ou outros, ganharam importância nas presidenciais dos EUA que elegeram Donald Trump, no referendo sobre o 'Brexit' no Reino Unido e nas presidenciais no Brasil, ganhas por Jair Bolsonaro.

"A questão das notícias falsificadas não é algo de novo neste mundo da comunicação. Atualmente, adquiriu o nome mais globalizante de 'fake news', mas noutros tempos chamavam-se boatos ou falsas notícias. O que difere atualmente são a forma e velocidade com que são propagadas, nomeadamente devido à forte implantação, dispersão e diversidade das redes e meios de comunicação social (...) e, através das redes sociais, não terem origem apenas em grupos organizados mas também em atos individuais", considerou Manuela Cunha.

O Parlamento Europeu quer tentar travar este fenómeno nas eleições europeias de maio e, em 25 de outubro de 2018, aprovou uma resolução na qual defende medidas para reforçar a proteção dos dados pessoais nas redes sociais e combater a manipulação das eleições, após o escândalo do abuso de dados pessoais de milhões de cidadãos europeus.

"As 'fake news' têm sempre como objetivo manipular os cidadãos mais incautos, que tomam por verdade absoluta tudo o que é veiculado numa dita notícia, sem acautelarem a sua origem e terem a capacidade de conexão com redes de verificação. As 'fake news' são uma arma poderosa que, muitas vezes, alimenta e promove o ódio, a xenofobia, o racismo e outras formas de discriminação e de atuação dos cidadãos", disse Manuela Cunha, acrescentando que "normalmente manipulam socialmente e a manipulação nunca é positiva".

 

Hugo Godinho