Paulo Rangel apela à intervenção de “atores públicos”

O cabeça de lista do PSD às eleições europeias, Paulo Rangel, durante a conferência de imprensa na sequência da reunião da Comissão Política Nacional do partido, a propósito das eleições europeias, Lisboa, 07 de fevereiro de 2019. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Bruxelas, 06 mar 2019 (Lusa) -- O eurodeputado social-democrata Paulo Rangel instou hoje atores públicos, como políticos, líderes religiosos, jornalistas, professores e cientistas, a agirem para conter as 'fake news', num seminário internacional por si organizado sobre aquele tema no Parlamento Europeu (PE).

Paulo Rangel, que promoveu a iniciativa na condição de presidente do "European Ideas Network", a rede de 'think tanks' do grupo do Partido Popular Europeu (PPE) na assembleia europeia, começou por recordar que as 'fake news' "não são nada de muito recente ou novo", remontando à República Romana do imperador Júlio César, quando os rumores proliferavam.

"O que é realmente novo é que agora este fenómeno incrementou-se. Hoje, essas notícias falsas têm a capacidade de chegar a toda a gente sem qualquer ética ou controlo. Antes, nos meios de comunicação, os jornalistas poderiam verificar se as informações eram corretas ou não, mas nas redes sociais isso é muito mais difícil", alertou na sua intervenção inicial no seminário.

Perante uma sala "muito, muito cheia", o cabeça de lista do PSD às eleições europeias de maio apelou à intervenção de "atores públicos", nomeadamente "atores chave" como os jornalistas, "que são a mais importante plataforma para conter as 'fake news'", os professores, que podem ajudar quem tem mais dificuldade em destrinçar o que é verdadeiro ou falso, e os cientistas, que, dado o seu conhecimento, podem contrariar rumores.

"Este combate não é só da responsabilidade dos mediadores, também é de atores como políticos ou líderes religiosos", prosseguiu, defendendo que estes devem fazer um esforço para ser cuidados quando transmitem informação.

Antes de passar a palavra ao painel de convidados, Paulo Rangel resumiu o fenómeno das 'fake news' como um tema "muito importante, que cria paixões entre os diferentes agentes da discussão".

Ao seu lado, o secretário Geral do PPE, Antonio López-Istúriz White, que moderou o seminário, lembrou o trabalho realizado pela maior família política europeia no combate à desinformação nos últimos três anos, atribuindo uma importância vital ao tema no programa 'eleitoral' do candidato daquele grupo político à presidência da Comissão Europeia, o alemão Manfred Weber.

"Estou preocupado com as eleições europeias. Estamos prontos? Tomámos ações para enfrentar estas notícias? Investimos dinheiro e meios e ainda esta semana a nossa página esteve em baixo por causa de um ataque cibernético. Este é apenas o começo. Seremos um alvo", assumiu.

Antonio López-Istúriz White defendeu, a menos de três meses das eleições europeias (que decorrerão na União Europeia entre 23 e 26 de maio), que é preciso "atacar" o fenómeno das 'fake news', estando preparado para os eventuais ataques que possam surgir e dos quais, inclusive, já foi alvo.

"Hoje em dia, há centenas de páginas de Internet e ninguém assume responsabilidade pelas mesmas. Não sei a quem me dirigir quando sou atacado. Na Wikipédia, durante dois meses fui casado com alguém que não era a minha mulher. Não sei qual era o objetivo, se causar-me problemas. Perguntei à minha equipa a quem devo endereçar as minhas queixas, porque estou disposto a ir a tribunal, mas a Wikipédia não sabe quem foi. Ninguém pode ser responsabilizado", denunciou.

Num seminário em que as intervenções incidiram nos mecanismos de combate à desinformação, na preponderância do papel dos jornalistas, na necessidade de incluir a literacia mediática nos currículos escolares, sem esquecer também os mais velhos, ou nos mais recentes exemplos do impacto das 'fake news' num desfecho eleitoral -- o 'Brexit' ou a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos -, tornou-se evidente, nas palavras do chefe de Unidade na Comissão Europeia responsável pelo Social Media, Conteúdos e Tecnologia, Paolo Cesarini, que quanto mais o tema é debatido, mais ciente se fica "das ameaças inerentes às 'fake news'".

 

Ana Marques Gonçalves