‘Fake news’ resultaram em “perda de tempo e energia” – jornalista brasileiro

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Brasília, 01 mar 2019 (Lusa) - O criador e diretor de informação da plataforma de notícias brasileira Poder360, Fernando Rodrigues, considera que as 'fake news' trouxeram "uma perda de tempo e energia" para o jornalismo, na verificação da veracidade de conteúdo noticioso.

"O que eu sinto que mais nos atingiu foi a perda de energia e tempo para verificar as informações que apareciam. Perguntávamos, 'mas isso é verdade?'. Então, verificávamos, o jornalista tinha de fazer telefonemas, tinha de verificar, e no final descobria-se que era mentira e não podíamos publicar. Então, gasta-se muito tempo, dinheiro e recursos para fazer frente às 'fake news", afirmou.

Fernando Rodrigues acompanhou o processo eleitoral do ano passado no seu país, que foi fortemente marcado pela disseminação de conteúdo falso. No entanto, acredita que as 'fake news' sempre existiram, e que a facilidade com que as pessoas atualmente partilham as suas opiniões na internet é aquilo que faz a diferença.

"Esse é um fenómeno que teve uma grande presença nos media devido à grande facilidade com que as pessoas passaram a ter em publicar as suas opiniões, por causa da internet. Eu acredito que notícias falsas são um fenómeno ancestral. Desde sempre existiram notícias falsas, tentativas de manipulação, seja no processo eleitoral ou em outros processos", frisou o diretor de informações.

Fernando acrescentou ainda que "com o advento das redes sociais, elas ('fake news') ficaram muito mais visíveis e isso teve um efeito de demonstração muito grande em processos eleitorais, como foi o caso do sufrágio brasileiro de 2018".

O criador da plataforma de notícias Poder360, que aliás esteve presente no projeto 'Comprova', um projeto que reuniu jornalistas de 24 veículos de comunicação brasileiros com o intuito de descobrir e investigar informações enganosas, frisou que os cidadãos têm conhecimento deste fenómeno de difusão de notícias falsas, e que a classe política acaba por tirar partido dessa prática.

No entanto, apesar das adversidades que o jornalismo atravessa nos dias de hoje, Fernando Rodrigues mostra-se positivo em relação ao futuro "do bom jornalismo".

"Eu acho que haverá um futuro para o bom jornalismo profissional. Gostaria de enfatizar a parte do jornalismo profissional, porque hoje em dia qualquer pessoa pode abrir um 'website' e se autoproclamar jornalista. Jornalismo profissional são pessoas, indivíduos ou empresas que apenas se dedicam a uma atividade económica, que é praticar o jornalismo, cobrar um preço por isso, remunerar os profissionais e assim sobreviver", frisou.

 

Marta Moreira