Governo espanhol pretende criar unidade contra conteúdos falsos

epa06820402 The wind waves the Spanish national flag during the flag hoisting ceremony held at Columbus Square in Madrid, Spain, 19 June 2018, on occasion of the 4th anniversary of the proclamation of King Felipe VI of Spain.  EPA/J.J.Guillen

Madrid, 11 mar 2019 (Lusa) - O governo espanhol pretende criar uma unidade contra a desinformação e a manipulação, antes das eleições gerais de 28 de abril, que reúne vários ministérios, indica hoje o jornal El País.

De acordo com a notícia do El País, que cita fontes governamentais não identificadas, o novo organismo encara a manipulação como uma "ameaça" à segurança do país sendo que o assunto já começou a ser discutido internamente.

"Nas últimas semanas trocaram impressões responsáveis do Ministério do Interior, que garante os processos eleitorais; Ministério da Defesa, que incluiu o Centro Nacional de Inteligência (serviços de informações), que analisa o problema com os parceiros europeus e o primeiro-ministro", escreve o diário espanhol.

A notícia acrescenta também que os esforços dos representantes dos vários ministérios envolvidos pretendem "uma espécie de unidade, integrada en La Moncloa (sede do governo espanhol) e que enquadre, entre outros, o Departamento de Segurança Nacional e a Secretaria de Estado para a Comunicação.

O jornal refere que as primeiras preocupações sobre a questão das notícias falsas e manipulação foram manifestadas pela União Europeia que pediu a Madrid para blindar o sistema informático durante os próximos atos eleitorais.

"A Espanha nunca foi o país mais recetivo aos alertas europeus sobre a manipulação informativa. Os avisos que chegavam do Leste, muito concentrados nas tentativas de intoxicação informativa por parte da Rússia, a partir de 2014, soavam como um perigo longínquo para Madrid", escreve o jornal referindo-se diretamente à crise política na Região Autónoma da Catalunha.

"Conscientes de que o alerta era incontornável, membros do executivo afetados pelo fenómeno reuniram-se para discutir o assunto e detetar as ameaças", adianta o El País.

De acordo com a mesma notícia, a conclusão de um relatório recente do Ministério do Interior sobre o crime organizado, aponta os ataques informáticos como um dos principais riscos que Espanha enfrenta atualmente.

Considerando que a "batalha é desigual" um grupo de pessoas coordenadas pelo executivo começaram a rastrear as redes sociais para identificar "falsidade ou distorções dos factos".

O El País diz que além "deste pequeno círculo" cada ministério tem como função fazer o mesmo rastreio e comunicar o que seja encontrado para que seja levada a cabo uma "análise urgente", apesar de não existir um "protocolo definido".

"Analisa-se caso a caso. Em algumas ocasiões o melhor é não dizer nada para não aumentar a 'bola de neve'. Em outros casos pode-se optar por emitir um comunicado ou contactar com a imprensa tradicional que tem um papel muito importante em tudo isto", disse uma fonte ao El País.

 

 

Pedro Sousa Pereira