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Iberifier: Algoritmos, lucro e emoções amplificam desinformação nas redes sociais

epa04521585 An employee points to code on a screen at Hewlett Packard's cyber defence center in Boeblingen, Germany, 09 December 2014. It will protect German clients from cyber crime in the future. The Boeblinger cyber defense center is one of nine run by HP worldwide.  EPA/DANIEL NAUPOLD

Lisboa, 10 fev 2026 (Lusa) – Os algoritmos das redes sociais moldam parte dos conteúdos que os utilizadores veem, mas a responsabilidade é partilhada, alerta o investigador José Moreno, que associa a lógica de lucro, emoções fortes e baixa literacia mediática à propagação da desinformação.

No Dia da Internet Segura, que hoje se assinala, o investigador do MediaLab, Instituto Universitário de Lisboa, e membro do Iberifier explicou, no âmbito da campanha “Quem escolhe por ti?”, que não se pode isentar a responsabilidade do utilizador na escolha dos conteúdos mostrados nas redes sociais.

“A escolha é partilhada, as plataformas decidem muito do que se vê, mas os utilizadores também têm uma palavra neste processo. São os comportamentos ‘online’ que dão instruções aos algoritmos sobre o que se pretende ou não ver”, explicou José Moreno à Lusa.

As redes sociais têm como último objetivo a obtenção de lucro e, nesse sentido, configuram os seus ‘feeds’ de forma a maximizar o tempo de permanência dos utilizadores e, portanto, obter lucro a partir da publicidade, referiu o académico.

“As plataformas digitais são as maiores e mais rentáveis empresas da atualidade e o seu motor é o algoritmo, que decide se fazem mais ou menos dinheiro”, afirmou José Moreno.

Desta forma, “os conteúdos que apelam à emoção, indignação e exaltação prendem mais as pessoas”, levando a que os algoritmos privilegiem estes conteúdos pelas métricas de utilização das redes sociais que geram, nomeadamente, mais lucro.

“Estes conteúdos acabam por ser favorecidos pelo algoritmo porque é neles que as pessoas passam mais tempo e interagem mais”, referiu o académico.

A partir deste panorama, o investigador considerou que a propagação de desinformação é um “efeito colateral” do próprio funcionamento algorítmico das plataformas digitais.

José Moreno destacou ainda os jovens e os idosos enquanto os grupos mais vulneráveis à manipulação algorítmica, uma vez que os mais velhos estão menos familiarizados com estas tecnologias, enquanto os mais jovens não têm capacidade de reação quando confrontados com desinformação, por exemplo.

Para o investigador, a falta de literacia mediática é um dos principais fatores que contribui para a vulnerabilidade destes grupos, pelo que é necessário verificar fontes e imagens, mediante pesquisas complementares.

A campanha do Iberifier tem promovido a publicação de vários vídeos explicativos nas redes sociais, visando sensibilizar e esclarecer o que são algoritmos e como funcionam.

É possível aceder a alguns destes recursos através da seguinte ligação: https://iberifier.eu/2025/12/22/campaign-about-algorithms-explains-that-all-platforms-make-content-suggestions/.