Sri Lanka: Autoridades bloqueiam redes sociais após distúrbios contra muçulmanos

epa07544558 Sri Lankan security forces stand guard while Muslim people queue up for security checking before enter the Friday prayers at Dawatagaha mosque at Town Hall in Colombo, Sri Lanka, 03 May 2019. Security was on high alert in the island after killed at least 259 people and hundreds more injured in a coordinated series of blasts during the Easter Sunday service at churches and hotels on 21 April 2019.  EPA/M.A.PUSHPA KUMARA

Colombo, 13 mai 2019 (Lusa) - O Sri Lanka bloqueou hoje o acesso ao Facebook, WhatsApp e várias outras redes sociais após distúrbios antimuçulmanos em várias cidades, poucas semanas depois dos ataques de Páscoa que visaram igrejas.

Grupos cristãos atacaram no domingo lojas de propriedade de muçulmanos na cidade de Chilaw, noroeste do país, em resposta a um comentário publicado no Facebook por um comerciante, disse a polícia.

As forças de segurança dispararam para o ar para dispersar a multidão, mas outras cidades foram palco de violência contra os muçulmanos.

O Sri Lanka está sob tensão desde 21 de abril, quando ataques contra três igrejas e três hotéis provocaram a morte de 258 pessoas.

A polícia disse que o recolher obrigatório imposto em torno de Chilaw foi hoje suspenso.

Entretanto, as redes sociais foram bloqueadas para evitar que sejam usadas para aumentar as tensões.

"Não ria mais, um dia você vai chorar", escreveu um comerciante muçulmano no Facebook. Cristãos da área viram nesta mensagem um aviso sobre a iminência de um novo ataque.

A multidão saqueou o comércio, o que provocou a intervenção policial e o recolher obrigatório na tarde de domingo.

Um gangue de 'motards' atacou lojas na localidade de Kuliyapitiya, onde quatro pessoas foram presas, segundo as autoridades. Dezenas de pessoas cercaram em seguida a esquadra onde os quatro foram detidos e libertaram-nos.

Apesar do recolher obrigatório, uma mesquita foi vandalizada.

Houve confrontos entre cristãos e muçulmanos em Negombo, uma cidade ao norte de Colombo, que foi alvo dos ataques de Páscoa.

O principal grupo do clero islâmico, All Ceylon Jamiyyathul Ulama (ACJU, em inglês), lamentou a crescente suspeita de muçulmanos desde os atentados suicidas.

"Pedimos aos membros da comunidade muçulmana que sejam pacientes e evitem publicar coisas desnecessárias nas redes sociais", alertou a ACJU.

Os provedores de serviços de Internet disseram que receberam pedidos do regulador de telecomunicações para bloquear o acesso ao Facebook, WhatsApp ou Instagram.

Este surto de violência ocorreu enquanto as igrejas cristãs voltavam a celebrar a missa no domingo, pela primeira vez desde os ataques.

Os muçulmanos representam 10% da população do Sri Lanka, um país predominantemente budista, e os cristãos são em torno de 7%.

Cristina Silva Rosa