Ucrânia proíbe três televisões pró-russas

epa08058414 Ukraine's President Volodymyr Zelenskiy attends a joint news conference after a Normandy-format summit in Paris, France, 09 December 2019. The Normandy format was created in 2014 to resolve the conflict between Kiev and the breakaway republics in Ukraine's east.  EPA/CHARLES PLATIAU / POOL  MAXPPP OUT

Kiev, 03 fev 2021 (Lusa) -- O Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy proibiu três canais da televisão considerados pró-russos com o objetivo de combater a influência do Kremlin, anunciou hoje o seu Governo, uma decisão condenada por Moscovo e saudada por Washington.

Na sequência de uma decisão do Conselho de Segurança Nacional, Zelenskiy assinou um decreto que impõe sanções contra o deputado pró-russo Taras Kozak e oito empresas em sua posse, incluindo três televisões, 112 Ukraïna, Zik TV e Newsone.

Estas televisões, que pertencem oficialmente a Kozak, são consideradas como a propriedade de facto de um outro deputado pró-russo, Viktor Medvedtchuk, muito próximo de Vladimir Putin, que o recebe regularmente no Kremlin.

Estas estações tornaram-se um instrumento de guerra contra a Ucrânia, esqueceram há muito as normas do jornalismo, recebem financiamento de Rússia" e "foram bloqueadas para proteger a segurança nacional", argumentou hoje na rede social Facebook Iulia Mendel, porta-voz do Presidente ucraniano.

O Kremlin "condenou" a decisão e considerou-a um entrave à "liberdade de expressão", considerou o porta-voz Dmitri Peskov.

"A Ucrânia apoia fortemente a liberdade de expressão, mas não a propaganda financiada pelo país agressor", tinha já sublinhado Zelenskiy na terça-feira em mensagem noutra rede social, o Twitter.

Os Estados Unidos "apoiam os esforços" de Kiev destinados a contrariar a "influência maligna" da Rússia, considerou por sua vez a embaixada dos EUA num 'tweet'.

"Devemos todos trabalhar em conjunto para impedir que a desinformação seja utilizada como armas numa guerra de informação contra os Estados soberanos", prosseguiu, de acordo com a agência noticiosa AFP.

As três televisões já tinham sido excluídas da maioria das redes em cabo ucranianas, mas continuaram e emitir em linha, denunciando um "ajuste de contas político".

Em 2014 a Ucrânia envolveu-se num conflito com separatistas pró-russos, antecedido pela anexação pela Rússia da península da Crimeia. Kiev e o ocidente denunciaram por diversas vezes a função dos media russos na instigação deste conflito.

"A Rússia considera os meios não militares, incluindo a subversão através dos 'media' e das redes sociais, como a principal ferramenta da sua doutrina militar", assinalou a propósito o chefe da diplomacia ucraniana Dmytro Kuleba.

Zelenskiy foi eleito à presidência em 2019 com a promessa de combater a corrupção e pôr termo ao conflito no leste do país.

A incapacidade em cumprir as promessas, num contexto de crise económica motivada pela pandemia de covid-19, tem implicado um acentuado recuo na sua popularidade.

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