Universidades devem incluir combate à desinformação nos currículos

Celestino Joanguete, docente da
Universidade Eduardo Mondlane durante o debate

Maputo, 10 jul 2019 (Lusa) - As universidades moçambicanas devem incluir nos seus programas de ensino formas de combate às 'fake news', visando formar jornalistas capazes de detetar notícias falsas, disseram hoje em Maputo docentes universitários moçambicanos.
A abordagem da problemática das 'fake news' (desinformação) nas universidades "requer uma reforma curricular", defendeu Celestino Joanguete, docente na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a maior e mais antiga instituição de ensino superior em Moçambique, falando na conferência "Combate às 'fake news': uma questão democrática".
Os cursos de jornalismo, prosseguiu, devem munir os futuros profissionais de capacidades e ferramentas que possibilitem a deteção de notícias falsas.
Eliseu Bento, docente na Universidade Pedagógica de Maputo, também advogou a incorporação do tema das 'fake news' nos cursos de comunicação social, assinalando que os estudantes atuais estão mais interessados em operar com os media digitais, que são o maior palco de informação falsa.
"É um fenómeno que se tem de ensinar a combater", tendo em conta que os estudantes atuais querem entrar para um "jornalismo mais rápido, que são os meios digitais" e "leem pouco", destacou Eliseu Bento.
Por seu turno, António Ndapassoa, docente na universidade A Politécnica, também advogou a necessidade de as instituições de ensino superior reagirem à intensificação de notícias falsas.
"É uma realidade com uma configuração nova, há que haver um ajuste nos planos curriculares" para responder às 'fake news', disse.
No caso moçambicano, prosseguiu, deve ter-se em conta que 40% da população é analfabeta e cerca de 70% não tem acesso aos media tradicionais.

Paulo Machicane (texto) e António Silva (foto)